10 de jan de 1984

Café prozaquiano

Sento na crista da Alvorada
Acima do infinito, apenas
Paro, penso, prosto
Jogado na sarjeta de atos escrotos

Retrocedo com meus dedos sujos
O relógio da minha testa
Pra voltar, rever, repensar
Me torturo com a indulgência vendida a uma alma sem luz

Besteira!
Pura hipocrisia de mim mesmo
Tão tolo quanto esconder sua cara na frente do espelho

Sento na Crista da alvorada
Espumeiro da uma onda inconsequente
Espumante de lábios inexperientes

Sinceramente?

Pareciam inscrições tão certas
Nos anais de minha moral
Mas joguei as tabuletas pela janela
Como quem bate um cigarro para se livrar das cinzas do outrora carbonizado

Minha ressaca é dura comigo
Vou até a cozinha fazer um café
Ligo o rádio, bem alto
A fim de abafar as vozes na minha cabeça

Ouço
Previsão de uma noite clara como dia
Iluminada por duas estrelas, apenas

Previsão nunca é certa

Mas vamos como Loki vai se sair
Hoje a noite no Ragnarok